219 458 670 / 219 446 417 | geral@jf-moscavideportela.pt

TEMA: COVID19 VACINAÇÃO

A vacina em 3 desafios.

A disponibilização de uma vacina para a prevenção e combate à SARS/COV2 – Covid19, é um dos momentos mais esperados e entusiasmantes da nossa história coletiva recente. Em menos de 1 ano, a comunidade científica foi capaz de estudar, desenvolver e testar um medicamento eficaz contra uma doença altamente contagiosa, perigosa, cínica e, nos casos mais graves, mortal.

Porém a existência de uma vacina eficaz não resolve, no imediato, a pandemia e coloca-nos desafios muito importantes a que nós, enquanto sociedade e comunidade, somos obrigados a responder. A incapacidade de produção de vacinas suficientes para vacinar todas as pessoas, em todos os lugares, ao mesmo tempo, desafia-nos a melhorar enquanto comunidade, mas é também um risco de desagregação social que importa responder.

A escassez de vacinas e a urgência de vacinação alimentam 3 dos principais desafios que, de olhos nos olhos, vos confesso mais receio.

O desafio da Solidariedade:

Como o já escrevi, a escassez de recursos obriga-nos a escolhas. Escolher quem toma a vacina em primeiro lugar é um exercício complexo, com múltiplas variantes mas que se baseia num compromisso fundamental:

Solidariedade. Apenas sendo solidários seremos capazes de perceber que outras pessoas merecem receber a tão esperada vacina antes de nós, seja pela sua função essencial, seja pela sua idade, seja pela sua condição de saúde. Este compromisso solidário é a base da nossa defesa contra a doença, para enfrentar esta pandemia, mas será também a plataforma com que devemos olhar o futuro.

O desafio da Confiança:

O processo de escolha de prioridades apoia-se – ou deve apoiar-se – em critérios técnicos claros, que devem ser comunicados com toda a transparência à comunidade, gerando assim a segurança necessária no processo. Os decisores, técnicos e políticos, devem orientar a sua ação para o reforço desta relação de confiança, aumentando a informação, divulgando coerentemente as medidas, justificando decisões e agindo em função do interesse público e coletivo. A existência de abusos ou condutas menos próprias por parte de pessoas que gozam da situação de proximidade ou privilégio face aos centros de decisão, devem ser expostas, exemplarmente condenadas e corrigidas sem margem para dúvidas. Esta relação de confiança, reforçada pela proximidade, é um fator decisivo para o sucesso do processo de vacinação e, se enquanto cidadãos devemos exigir legalidade e clarificação, devemos também estar disponíveis para colaborar e cooperar.

O desafio de Humanidade:

Talvez seja o desafio mais importante com que teremos de nos confrontar, pela sua dimensão, relevância e acima de tudo pelo significado que traduz enquanto espécie humana. O sucesso da vacinação e do processo, está diretamente relacionado com a capacidade de vacinar as pessoas nos países pobres ou em vias de desenvolvimento. Num mundo global em que a mobilidade das pessoas representa um elemento de proximidade entre os povos, esquecer que a nossa segurança está diretamente relacionada com a segurança do próximo, pode ser um erro que nos atrase ainda mais na luta contra esta pandemia que nos levou a Liberdade, a capacidade de geração de riqueza ou, no pior dos cenários, que nos está a levar aqueles que amamos.

Conclusão:

Agora que a comunidade científica cumpriu com a sua missão e colocou o conhecimento ao serviço de todos nós, importa que todos nós cumpramos a nossa missão. Estes desafios que aqui vos deixo, não são apenas para o tratamento desta pandemia, são lições para o futuro. Não obstante os erros que todos já cometemos neste ano de dificuldades, deveríamos perceber que temos uma oportunidade extraordinária para evolução enquanto comunidade. Se formos mais solidários, se conseguirmos estabelecer relações de confiança e não perdermos de vista aquilo que nos identifica e une – a Humanidade – certamente que esta pandemia será apenas um elemento histórico duro, inesquecível para quem o viveu, mas que terá reforçado os nossos laços e permitido que enquanto humanos nos tornássemos melhores.

Eu acredito que a nossa comunidade local, pessoas resilientes e determinadas de Moscavide e Portela, estão a conseguir vencer estes desafios. Confio que mais uma vez conseguiremos dar uma resposta a uma época de enorme exigência e que nos obriga a dar o melhor de todos nós.

De olhos nos olhos vos confesso, não queria viver estes tempos tão complexos com outras pessoas que não vocês.

Vamos ficar todos bem.

Até lá, proteja-se.

Continuamos a precisar de todos!

Ricardo Lima

Vamos Juntos. Primeiro as Pessoas!