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IMPRENSA | COMUNICAÇÃO SOCIAL

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela, Ricardo Lima, à revista LOURESmagazineODIVELAS.

▶️ Ricardo Jorge Monteiro Lima, de 37 anos de idade, nasceu em Lisboa.

Desde muito novo que o contexto familiar, nomeadamente pais, padrinhos e mesmo amigos próximos, influenciaram o seu rumo político. Como costuma dizer, “nasceu e cresceu na Secção do PS de Moscavide …”.

Aos 14 anos, ingressou na JS, “num processo de evolução participativa”. Porém, segundo confessa, a sua participação ativa na vida política, isto é, a sua envolvência em cargos de responsabilidade política, não foi programada: “As coisas surgiram de forma natural, fruto de convites de amigos para fazer parte de uma ou outra lista para uma ou outra participação”.

O seu maior desafio começou em 2009 quando, ao integrar a lista PS, concorrente à Câmara Municipal de Loures, para o mandato 2009-2013, assumiu o cargo de Vereador, tendo então liderado o Departamento do Ambiente.

Reeleito vereador pela lista do PS para o mandato 2013-2017, exerceu este cargo na oposição, visto a CDU ter ganho as eleições autárquicas e chegado a acordo de vereação não com o PS, mas sim com o PSD. 

Em 2017, Ricardo Lima encabeça a lista do PS para a presidência da União das Freguesias de Moscavide e Portela, que ganha, decorrendo este mandato até 2021.
Três anos passados, fomos ao seu encontro para nos falar da sua liderança e gestão. 

❗️“ … NOS DOIS PRIMEIROS ANOS CONSEGUIMOS EXECUTAR 70% DO QUE NOS PROPUSEMOS LEVAR A CABO … ” 

🎤LOURESmagazineODIVELAS (LmO) – Recentemente o Presidente Ricardo Lima declarou que, em 2017, quando assumiu a presidência da Junta de Freguesia, a Vila de Moscavide e a Portela não tinham um projeto. Atualmente esse projeto está implementado❓

💬RICARDO LIMA (RL) – É verdade: em 2017, Moscavide e Portela não tinham um projeto que respondesse àquele presente e, muito menos, ao seu futuro. O que havia era uma gestão amadora! Ambas as freguesias, então agregadas, não tinham uma estratégia sólida e unificadora, um programa ousado que apostasse num desenvolvimento sustentado para a freguesia e para a população. Ao tomarmos contacto com esta realidade, entendi eu e o meu Executivo, que os nossos primeiros passos deveriam ser no sentido de a Junta de Freguesia se reencontrar com a sua população e, com ela, reorganizar um caminho de progressão consolidada, porque este caminho tinha de ser feito juntos, porque como sempre o dissemos, primeiro estavam as pessoas. 

E assim o fizemos. Lembro-me que tivemos, durante mais de um ano, bancas no terreno, no espaço público, a solicitar o contributo da população, resultando esta iniciativa numa contribuição de mais de 1500 pessoas, que participaram com ideias e sugestões. Muitas delas têm sido o nosso guião! 

🎤LmO – Podemos hoje dizer que houve uma mudança de paradigma na gestão da autarquia❓

💬RL – Sem dúvida, que sim! Mas, sublinho, para que esta mudança atingisse o sucesso que hoje tem, tínhamos que envolver as pessoas, dar-lhes motivos para que se interessassem pela sua freguesia, porque a freguesia somos todos nós e não da Junta. Esse trabalho foi conseguido. A crítica, a sugestão, o elogio, tudo tem sido importante. O elogio agrada-nos, sobretudo, aos nossos trabalhadores, mas a crítica é o melhor que podemos ter, pois ajuda a melhorar. O sucesso do nosso trabalho deve-se a esta participação das pessoas e a mudança tem acontecido com naturalidade e normalidade. 

🎤LmO – Moscavide e Portela são duas culturas e realidades diferentes. Como foi possível conciliar essa gestão❓

💬RL – São duas dinâmicas distintas. Mas, apesar das diferenças, acabam por se complementar. O que fizemos foi olhar para o território num todo, reconhecer as diferenças, gerir tendo em conta essa realidade, em que as próprias necessidades de cada uma são por vezes diferentes. Daí que se façam coisas na Portela que não se fazem em Moscavide e vice-versa. Mas, repito, ao mesmo tempo complementam-se. Hoje vejo pessoas que são de Moscavide a usufruir o que é complementar na Portela, que existe ali e não temos em Moscavide, assim como conseguimos ver pessoas da Portela a usufruir do que Moscavide lhes oferece. Verificamos essa mobilidade das pessoas dentro das duas localidades, e isso é motivo para nos sentirmos satisfeitos. Juntos somos mais fortes para continuarmos a construir um projeto comum. 

❗️“… EM 2017, MOSCAVIDE E PORTELA NÃO TINHAM UM PROJETO … O QUE HAVIA ERA UMA GESTÃO AMADORA! … “

🎤LmO – Aumentar a qualidade de vida, estimular o espírito de comunidade e promover a inclusão, foram ideias que defendeu ao longo destes 3 anos. Estes conceitos foram conseguidos❓ 

💬RL – Todos. É natural que muitas pessoas não se recordem de coisas feitas no primeiro ano, mas temos todo o cuidado de monitorizar o nosso programa de gestão e posso dizer que nos dois primeiros anos conseguimos executar cerca de 70% do que nos propusemos levar a cabo. Estão por finalizar situações mais complexas, envolvendo outras entidades, ou onde a tramitação para que as coisas aconteçam demoram um pouco mais. Contudo, quem nos segue nas redes sociais (site da Junta de Freguesia ou página do facebook) sabe avaliar o quanto tem sido feito, já que nós postamos tudo o que vamos executando, numa perspetiva de darmos informação (completa e em tempo útil) à nossa população e, de uma maneira geral, à sociedade. 

🎤LmO – Das prioridades que elencaram no vosso programa para este mandato de quatro anos, quais foram as que já concretizaram❓

💬RL – Um conjunto de delas. E quando falo num conjunto delas, não me reporto só de obras. Um programa não se faz só de obras! O que o nosso Executivo desenhou é um projeto de resposta à comunidade, e isto tem implicado que, para além das obras de requalificação dos nossos espaços (de circulação, zonas verdes, etc.) também nos centremos na valorização das respostas sociais, implementando medidas que contribuam para um reforço da qualidade de vida. Nesta linha, recordo os programas do “Espaço de Saúde e Bem Estar”, os projetos de “Envelhecimento Ativo e Saudável”, “Eu sou o Futuro da Freguesia” ou “A Freguesia em Movimento”, para além do grande impulso, diria gigante, por o acharmos crucial, do apoio e iniciativas criadas para revitalizar o nosso Comércio Local, um dos Concelho de Loures mais dinâmico, ativo e empreendedor. Fizemos também algumas atualizações a programas que já existiam, por entendermos que, melhorando-os, cumpriam os nossos objetivos. 

Quanto às obras que consideramos ser prioritárias, conseguimos montar uma estrutura com uma enorme capacidade de execução, mas devo dizer que isso só foi possível porque no primeiro ano de mandato nos lançamos a fazer uma profunda modernização administrativa e reestruturámos os serviços operacionais. Hoje temos uma “máquina oleada”, com capacidade de resposta eficiente, fruto do empenho dos nossos trabalhadores, que vestiram a “camisola” do serviço público, com grande dedicação. Não vou mencionar toda a obra feita, seria enfadonho, mas acentuo que foi muita, desde a manutenção/conservação dos parques infantis, jardins, diversos equipamentos urbanos de Moscavide e da Portela, muitos deles abandonados, e tantos outros que, a seu tempo, foram intervencionados. 

🎤LmO – Há obras que, embora reivindicadas pela Junta de Freguesia, pela sua dimensão e elevados custos, são executadas pela Câmara de Loures. Que projetos estão em cima da mesa, por executar❓

💬RL – Há uns quatro projetos que dependem da Câmara, que podemos dar como garantidos. Temos a construção de um equipamento e parque de estacionamento subterrâneo, já com o lançamento do concurso para a obra; a requalificação do Jardim Público de Moscavide, que também será, em breve, uma realidade, pois estamos a discutir os detalhes do projeto e se não fosse a pandemia este concurso provavelmente já estaria lançado; temos a construção do novo edifício da Junta de Freguesia, na Portela, um projeto que apanhamos em fase avançada, bem como a Residência Sénior, para a qual contribuímos com algumas alterações, nomeadamente com espaços para resposta à comunidade, em outras áreas. 

Há ainda projetos que poderiam estar numa fase mais avançada, como o projeto que implica a cedência de uns terrenos na Urbanização do Cristo Rei, um processo que está por concluir há quase três anos, e temos algumas intervenções em ruas da Portela, que têm desnivelamentos, problemas de mobilidade, de circulação e de estacionamento, que aguardam resposta da Câmara. 

🎤LmO – A União das Freguesias de Moscavide e Portela identifica-se com o modelo de gestão da Câmara Municipal de Loures? As verbas que o Município transfere para a Moscavide e Portela são suficientes? Por que refere que a Câmara tem uma dívida atrasada com a Junta de Freguesia❓ 

💬RL – Quanto à primeira questão sublinho que nós, Junta de Freguesia, temos naturalmente um modelo de gestão diferente do Município. A Câmara acha que as verbas que entrega às freguesias são um género de subsidiodependência, mas não, são “envelopes” financeiros para fazer face a competências das Juntas.
Relativamente às verbas que transfere, é um facto que a Câmara aumentou, ultimamente, essas verbas, mas precisa de aumentar mais. Atualmente, temos um défice superior a 450 mil euros, entre o que gastamos e o que recebemos, especialmente nos espaços verdes e limpeza urbana. Salvaguardamos isso no processo inicial dos contratos interadministrativos, onde definimos as nossas condições para aceitar esses contratos, e é por isso que dizemos que a Câmara tem, neste momento, referente a 2018 e 2019, uma dívida para com a Junta de Freguesia superior a 950 mil euros. 

❗️“FACE A ESTA PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS … MONTÁMOS UM SERVIÇO, NO NOSSO CENTRO DE DIA, DE REFEIÇÃO QUENTE DIÁRIA, PARA LEVAR A TODOS OS UTENTES … ” 

🎤LmO – A pandemia tem afetado muito Moscavide e Portela? Qual tem sido a resposta a esta situação❓

💬RL – Devo dizer que, face a esta pandemia do novo corona vírus, se estamos a apoiar como estamos é porque fizemos bem o trabalho de casa no primeiro ano do mandato. Perante esta inesperada doença, a Junta de Freguesia de Moscavide e Portela foi das primeiras autarquias a implementar um Plano de Contingência arrojado. Implementamos, de imediato, os serviços de apoio ao domicílio, com a entrega de bens alimentares e medicamentos; a enfermagem ao domicílio, bem como a fisioterapia; e criamos uma linha tele- fónica com médicos de todas as especialidades que atendiam as pessoas e passavam as receitas que levantávamos e levávamos às pessoas, linha essa de apoio com uma base de dados de mais de mil pessoas e com contactos diários. Criámos, também, um serviço abrangente de pagamento de despesas, como água e eletricidade, a pessoas que estavam em isolamento, levantamento das reformas e do IRS; criámos uma estrutura de pequenas reparações ao domicílio; e reforçámos o fundo de emergência social, através da nossa Loja Social. Realizámos trabalho de sensibilização, com equipas multidisciplinares, com viatura sonora; montámos um serviço, no nosso Centro de Dia, de refeição quente diária, para levar a todos os utentes, enfim, posso dizer que no pico do confinamento apoiámos mais pessoas do que o Município em todo o concelho de Loures. 

🎤LmO – Qual é, nesta data (finais de novembro) o surto epidémico em Moscavide e Portela❓

💬RL – As freguesias e as Câmaras estão proibidas de divulgar os números por freguesia. Posso dizer que tivemos uma das melhores situações da AML, mas no atual contexto (mês de novembro) não somos um caso à parte e estamos com um aumento significativo de casos. A situação é mais preocupante nesta segunda vaga do que na primeira. Existe maior incidência em Moscavide, devido às suas características. É uma situação que nos assusta, devido à ausência de informação de algumas entidades. Por vezes, ficamos impotentes para encontrar as melhores soluções. Há pessoas que estão infetadas, estão em casa e temos contactos com elas, mas há outras que também estão infetadas e não as contactamos por desconhecermos esses casos. Ora, devia existir uma coordenação, em rede. Vamos continuar a dar o nosso melhor, tendo em conta que, para nós, primeiro estão as pessoas.