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DISCURSO DO 48° ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL | PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE MOSCAVIDE E PORTELA

A intervenção do Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Ricardo Lima, nas comemorações do 48° aniversário do 25 de abril de 1974, organizadas pela Junta de Freguesia.

“Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão

Exma. Sra. Presidente da Assembleia Municipal Loures, Susana Amador

Ex.mo. Sr. Presidente da Assembleia de Freguesia de Moscavide e Portela, Constantino Teixeira

Caras Convidadas e Caros Convidados,

Moscavidenses e Portelenses,

Caras Amigas e Caros Amigos,

Às 22h55 do dia 24 de abril de 1974, a rádio passa uma canção. “E depois do Adeus”, música interpretada por Paulo de Carvalho e que tinha ganho o festival da canção desse mesmo ano.

Com esta canção de Amor, estava dado o sinal para que os capitães iniciassem as manobras que garantindo o controlo de instalações militares, de comunicação e de governo, depusessem o regime, tomassem o poder e garantissem a transição para um regime democrático.

Este podia ser o resumo de uma revolução. Uma visão romântica de um momento único na nossa História coletiva. Um dia que continuou a fazer de nós Portugal.

Uma revolução feita a partir de uma canção de amor, ainda por cima uma canção de amor em despedida, ou como diria o poeta no poema cantado “E depois do amor? E depois de nós? O Adeus! O Ficarmos Sós!”, é o horizonte imaginário que cria heróis e transforma dias em páginas de história, dos livros às memórias das pessoas, as que as viveram e as que as passam de pessoa para pessoa, para que perdurem e nos acompanhem.

Temos a legitima tentação em dar imagem, voz e nome aos Heróis sem cuidar de lembrar que os seus atos vão muito para além das memórias que partilhamos.

A História do heroísmo deve prolongar-se em memórias, mas sobretudo em gestos e atitudes concretas, trazendo o carácter dos que fizeram a revolução até aos nossos dias, mesmo que para tal relembremos todos e todos os dias o que éramos e o que conseguimos ser.

O espírito e a prática Revolucionária – tantas vezes agredidos por aqueles que deles se querem apropriar como se os heróis tivessem bandeiras partidárias – deve estar presente todos os dias, nos atos mais simples dos que decidem em nome dos que os elegeram e dos que elegem através do escrutínio atento.

Abril é também dizer que quando alguém agride a Liberdade, temos o dever de a defender colocando-nos sempre do lado certo da história que é, e sempre será, ao lado daqueles que dizem que a tirania não passará; que a autocracia não passará; que as mordaças à comunicação social livre, não passarão; que prender quem pensa de maneira diferente, não é tolerável.

Estar do lado certo da história é não ter complacências ou desculpas para com aqueles que invadem, destroem, matam, violam e mentem sem carácter sobre os seus atos.

Fazer Abril, ontem, hoje e sempre, será dizer claramente a quem defende as tiranias, que não estarão descansados enquanto a Liberdade não vencer, enquanto a Democracia não prevalecer.

Caras Amigas e Caros Amigos,

A coragem dos Capitães de Abril hoje, seria continuar a sair para a rua ou a dizer em todo o lado, que não basta erguer o punho, gritar Liberdade e usar um cravo vermelho para sermos defensores ou herdeiros daquilo que eles nos deixarem.

Não!

É fundamental que tenhamos a coragem para, no plano democrático, no respeito pela pluralidade, dizer a todos quantos perante uma guerra preferem a retórica da palavra que estão errados. Que na guerra entre quem ataca e quem se defende, estaremos sempre do lado de quem se defende.

Não tenhamos a mínima duvida que aqueles que tantas vezes se dizem únicos e legítimos guardiões de Abril, são hoje quem, por palavras, ações ou simples omissões, mais agride a sua memória, e quem mais envergonha a Liberdade.

Por isso sem arrogância, mas também sem fraqueza ou constrangimentos, apontamos a palavra a quem não consegue separar-se de um passado de má memória e dos amanhãs que cantam.

Não podemos deixar de lhes dizer que o amanhã é já hoje, e aquilo em que dizem acreditar, está muito longe daquilo que fazem hoje.

Para eles uma palavra: Liberdade!

Liberdade que é aquilo que queremos e que é igual seja em Moscavide, na Portela, em Loures, ou em Grozny. Alleppo, Karkhiv. Kiev ou Mariupol.

A Liberdade que defendemos ontem, é justamente a Liberdade que temos o Dever de defender hoje, aqui ou lá.

Ex.mas Senhoras e Ex.mos Senhores,

Caríssimos amigos,

Não lamentemos o que ainda está por fazer em Abril, porque Abril está hoje mais vivo do que nunca na necessidade que temos de o defender, proteger e aprofundar!

Quando celebramos 48 anos da nossa revolução – nossa porque a Revolução é de todos os que a continuam a amar – o ruído das vozes que a pretendem desvalorizar, faz-se ouvir cada vez mais, com cada vez maior intensidade.

O tempo deu-lhes a desfaçatez de tentar fazer esquecer que em 1970, mais de um quarto da nossa população era analfabeta, ou que apenas uma elite inferior a um por cento tinha o privilégio de frequentar o ensino superior, que o trabalho infantil era não só uma realidade como uma necessidade vista como uma prática correta.

Esses, os saudosos da “ordem” esquecem que a saúde era acessível a quem a podia pagar, que o simples gesto de falar com amigos na rua podia ser alvo de denuncia e uma visita guiada ao inferno da tortura, ou que votar, escolher, eleger, era uma caricatura de democracia livre.

Se a Democracia é a Forma, a Liberdade é o caminho.

Este é o caminho que não devemos deixar de lembrar e, acima de tudo, não devemos deixar de fazer, todos os dias, em todos os momentos, em todas as circunstâncias.

Porque a Liberdade e a Democracia, como por estes dias as televisões nos mostram, não são valores absolutos ou dados adquiridos. São lutas diárias.

Essa é a Luta que devemos assumir.

Não há Democracia sem pluralidade, da mesma forma que não há Liberdade sem escolha.

Agradecer aos capitães de Abril, não passa hoje apenas por lhes relembrar o nome ou o heroísmo, passa por continuar a afirmar o seu carácter transformador baseado na Democracia Livre, na separação dos poderes, do acesso à educação, à saúde, à dignidade económica, mas também à cultura, ao bem-estar, à capacidade de ser semelhante mesmo nas suas diferenças, à capacidade de dar aos outros o mesmo que queremos para os nossos.

Abril faz-se na exigência, mas também da solidariedade. Do gesto de estar do lado da história e de afirmar que todas as DITADURAS são inimigas da nossa Revolução, falem elas castelhano, Russo ou Coreano, Inglês, Francês ou Chinês.

Se a pluralidade é aceitar e conviver com a diferença, é também afirmar que as ditaduras não têm cor, geografia ou desculpa.
Fazer Abril, é dizer claramente que ninguém tem o direito de limitar a liberdade do outro apenas porque tem um tom de pele diferente, uma religião diferente ou escolhe amar quem quer.

Fazer Abril, é continuar a dizer que o investimento mais importante é nas pessoas, nas suas ambições e aspirações e nos seus sonhos.

Fazer Abril, é acordar sempre com a vontade de que essa seja a manhã clara e limpa, ambicionando que não seja a última e imaculada manhã da Liberdade.

Fazer Abril, é escolher o caminho da Democracia mesmo que seja o mais longo e o mais difícil.

Fazer Abril é convidar todos a fazer esse caminho connosco, mesmo que pensem de forma diferente, porque só juntando nos podemos apoiar.

Abril continua por cumprir, não porque nos falte a capacidade, mas porque a Liberdade, a Democracia e o Desenvolvimento nunca estarão terminados. Não deixemos que o caminho seja usado por aqueles que pretendem andar para trás.

Sabemos que o passado não nos trará nunca segurança, antes medo. Nunca ordem, antes silêncio. Nunca respeito, antes tortura.

Olhemos para o futuro, para os enormes e complexos desafios que temos pela frente e não percamos de vista que a cada desafio que consigamos ultrapassar, outro virá. Por cada obstáculo que vençamos, outro seguirá.

Olhemos para o futuro com a mesma confiança e esperança de que aqueles que na madrugada de 25 de abril de 1974, saíram das suas comodas vidas de oficiais, e fizeram o maior sonho de um povo, a Liberdade.

Façamos Abril, mesmo que seja em maio, junho ou dezembro.

Façamos a Revolução, crescendo com ela e a Liberdade com o vigor daqueles que por ela lutam, seja lá longe, seja na nossa rua, porque o nosso bairro é o Mundo.

Porque a Liberdade e a Democracia são de facto a mais bela canção de amor que podemos conhecer.

Celebrar a Liberdade e a Democracia, nunca será demais. São flores delicadas que carecem de cuidados. Processos que nunca estão concluídos.

Celebrar Abril é traduzir nas ações diárias e concretas esses cuidados e ao contrário de outros, fazer acontecer Democracia todos os dias.

Viva o 25 de Abril
Viva a freguesia de Moscavide e Portela
Viva o Concelho de Loures
Viva Portugal”

O Presidente da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela | Ricardo Lima

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